Voltar a conhecer o Dono

Isaías nos apresenta uma cena simples, mas cheia de profundidade: o boi reconhece seu dono e o jumento sabe onde está o estábulo de seu senhor. São criaturas sem grande capacidade de raciocínio, mas têm claro a quem pertencem e de onde provém seu alimento. Seu instinto as leva de maneira natural ao lugar onde são cuidadas e sustentadas.

Em contraste, o povo de Deus havia chegado a um ponto em que já não lembrava quem era seu Senhor. Viviam como se não tivessem dono, como se sua vida dependesse apenas de suas próprias forças e decisões. Essa perda de memória espiritual não era um simples descuido, mas uma desconexão profunda daquele que os havia chamado e formado.

A comparação que Isaías faz é forte, quase chocante, porque coloca o ser humano abaixo de animais considerados rudes e sem entendimento. No entanto, ao mesmo tempo, está carregada de ternura, porque Deus se mostra como o Dono amoroso que alimenta, cuida e sustenta. Não é um senhor tirano, mas um Senhor que se compromete com o bem-estar dos seus.

Quando esquecemos de Deus, não apenas deixamos de obedecer seus mandamentos ou de ouvir sua voz; também nos afastamos do único lugar onde encontramos verdadeiro sustento e segurança. Ao viver como se não tivéssemos dono, nos privamos da mesa onde somos nutridos, do refúgio onde somos guardados e do coração paternal que sempre está disposto a nos receber de volta.