Em Gênesis 22, entramos em um momento quase insuportável: Abraão, com a faca na mão, está pronto para oferecer Isaac, o filho que ama, porque Deus lhe pediu. Então o anjo do SENHOR chama do céu, interrompendo-o: “Não estenda a mão contra o menino... pois agora sei que você teme a Deus, já que não reteve seu filho, seu único filho, de Mim.” À primeira vista, essa cena pode parecer dura ou confusa, mas em seu cerne revela um amor por Deus que não retém nada. O temor de Abraão a Deus não é um terror medroso, mas um amor reverente e confiante que coloca Deus acima até mesmo do presente mais querido. Sua disposição em entregar Isaac mostra que seu coração pertence primeiro e completamente ao Senhor, confiando que o caráter de Deus é bom, mesmo quando Seus mandamentos são custosos. Este é o tipo de amor que pergunta: “Senhor, há algo que estou retendo de Você? Algo que me recuso a colocar no altar?”
Como cristãos, vemos uma camada ainda mais profunda neste trecho quando lembramos que a história de Abraão aponta para outro Pai e outro Filho. Onde Abraão foi interrompido, Deus, o Pai, não poupou Seu próprio Filho, mas O entregou por todos nós em Jesus Cristo (Romanos 8:32). No monte Moriá, Deus providenciou um carneiro; no Calvário, Ele providenciou o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. O amor de Abraão por Deus é real, mas ainda é apenas uma sombra do amor do Pai por nós, exibido na cruz. Quando nos perguntamos como é esse amor, olhamos primeiro não para a mão levantada de Abraão, mas para os braços estendidos de Deus em Cristo. Nosso amor por Deus sempre começa como uma resposta ao Seu amor por nós, não como algo que geramos por conta própria.
Então, o que você pode fazer para mostrar tal amor a Deus na vida diária? Raramente significa um único ato dramático; mais frequentemente, parece muitos pequenos “altares” onde você escolhe Deus em vez de conforto, reputação ou controle. Você demonstra amor quando entrega um plano precioso e ora: “Que a Sua vontade seja feita”, mesmo quando seu coração dói. Você demonstra amor quando perdoa alguém que te feriu porque Cristo te perdoou a um custo maior. Você demonstra amor quando obedece às Escrituras em lugares ocultos—o que você assiste, o que você diz, como você lida com dinheiro ou tempo—confiando que os caminhos de Deus são melhores do que seus impulsos. Como Abraão, você demonstra amor não apenas por palavras, mas por uma disposição de soltar o que você mais se apega se Deus pedir.
Peça ao Espírito Santo que revele gentilmente o que você pode estar “retendo” de Deus: um relacionamento, um pecado secreto, uma memória amarga, um sonho que você se recusa a colocar em Suas mãos. Você não precisa consertar tudo de uma vez; comece nomeando uma área e dizendo ao Senhor honestamente: “Quero Te amar mais aqui, mas estou com medo—ajude meu coração.” Então, em fé, dê um passo concreto de obediência: uma conversa que você tem evitado, um hábito que precisa abandonar, uma prática (como oração ou meditação nas Escrituras) que precisa retomar. À medida que você faz isso, lembre-se de que Deus não é cruel ou descuidado; o mesmo Deus que testou Abraão é o Deus que providenciou para ele, e Ele também providenciará para você. Ele vê seu desejo de amá-Lo, mesmo quando parece fraco ou instável, e Ele se alegra a cada passo que você dá em direção a Ele. Tenha coragem: o Deus que não reteve Seu único Filho de você estará com você enquanto você aprende, dia após dia, a não reter nada d'Ele em troca.