No meio de um cerco severo e de uma fome devastadora, quatro homens leprosos, marginalizados e desesperados, fizeram uma descoberta inacreditável. O acampamento sírio, que aterrorizava Israel, estava abandonado e repleto de riquezas e provisões, deixadas para trás por um Deus que havia aterrorizado o inimigo. Após saciarem sua fome e se maravilharem com a abundância, uma convicção divina surgiu em seus corações, conforme registrado em 2 Reis 7:9: "Então disseram depois entre si: 'Não está certo o que estamos fazendo! Hoje é um dia de boas novas e nós estamos calados! Se esperarmos até raiar o dia de amanhã, com certeza algum castigo nos sobrevirá. Vamos, pois, levemos essa grande notícia ao palácio do rei!'" O contexto é claro: eles, os mais impuros e indesejados pela sociedade, foram os primeiros a testemunhar o milagre de Deus e sentiram o peso solene de não se calarem.
Esse mesmo sentimento de urgência e privilégio deve habitar em nós hoje. Assim como aqueles leprosos, nós também fomos tocados por um milagre divino. Éramos "leprosos" da alma, afastados pela mancha do pecado, totalmente indignos da graça que recebemos. No entanto, Cristo nos libertou, nos curou e nos encheu de boas novas. Guardar essa verdade apenas para nós mesmos é cometer o mesmo erro que eles quase cometeram: é um ato de egoísmo espiritual. A pregação do Evangelho não é uma opção para poucos privilegiados, mas um mandamento urgente para todos que foram alcançados pela redenção.
A importância de pregarmos reside no desejo sincero de que outros recebam as mesmas bênçãos que nós gratuitamente recebemos. Não pregamos por dever cego, mas por um transbordamento de gratidão. Sabemos o que é viver no cerco da desesperança e o que é ser alimentado pela provisão milagrosa de Deus. Como poderíamos, então, nos calar e negar a outros a chance de experimentar a liberdade, a paz e a salvação que transformaram nossas vidas? A compaixão deve nos impulsionar a levar a grande notícia ao "palácio" de todos os corações que ainda estão sob cerco.
Portanto, mesmo conscientes de nossa condição de pecadores não merecedores, devemos nos levantar e batalhar a batalha que Deus nos confiou: a proclamação das Boas Novas. Não o fazemos porque somos dignos, mas precisamente porque, assim como os leprosos, fomos libertos pelo imenso poder de Deus. A nossa motivação não é o mérito, mas a maravilhosa graça. Cada dia é um "dia de boas novas", e permanecer calado não é uma opção. Que possamos, movidos pelo Espírito, sair de nossa zona de conforto e compartilhar com um mundo faminto a provisão abundante que encontramos em Cristo.