"Quando o Senhor trouxe novamente restauração a Sião, nos sentimos como num sonho! Então, se nos encheu de riso a boca, e a nossa língua de alegres expressões de louvor. Até nas outras nações se comentava: “O Eterno fez maravilhas por esse povo!” Sim, realizações grandiosas fez o Senhor por nós, por esse motivo estamos felizes! Senhor, traze os nossos cativos de volta, assim como enches o leito dos ribeiros no deserto do Neguebe. Os que em lágrimas semeiam, em júbilo ceifarão! Aquele que parte chorando, enquanto lança a semente, retornará entoando cânticos de louvor, trazendo seus feixes."
Introdução
O Salmo 126 celebra a restauração de Sião como um ato surpreendente e alegre da parte do Senhor. Em poucas linhas o salmista descreve a transformação do lamento em riso, pede a restauração dos cativos e usa a imagem agrícola do semear em lágrimas e colher em alegria para afirmar a fidelidade de Deus e a esperança do povo.
Contexto Histórico-Cultural e Autoria
Este salmo pertence ao grupo chamado "Cânticos das Subidas" (hebraico: שִׁיר הַמַּעֲלוֹת, Shir ha-Ma'alot), que compõe os Salmos 120–134 e provavelmente foi usado nas peregrinações a Jerusalém ou em celebrações comunitárias. A menção explícita da restauração de Sião sugere relação com o retorno do exílio babilônico (século VI a.C.), e por isso muitos estudiosos o colocam no período pós-exílico; contudo, o texto em si é anônimo, como a maioria dos cânticos. Textos antigos como o Cântico na tradição masorética e sua preservação na Septuaginta confirmam seu lugar nas coleções antigas de louvor. Linguisticamente, o hebraico poético aqui trabalha com paralelismo e imagens agrárias: צִיּוֹן (Tziyon, Sião), נֶגֶב (Negev, Neguebe) e raízes verbais relacionadas a "voltar" (השיב) e "semear/ceifar" são úteis para entender o jogo de reversão de estado e esperança presente no original.